terça-feira, 15 de junho de 2010

A primeira balada.


O gostoso de ter-se filhos é que a gente revive com eles as várias etapas da vida. Apesar de ter uma filha só, e o fato dela ser menina, existem etapas que são vividas por meninos e meninas, talvez emocionalmente, da mesma forma.
No sábado passado foi Dia dos Namorados, e foi, também, a primeira "Reunião Dançante" da minha filha. Uma data bem sugestiva para ir-se à primeira "Reunião Dançante". Não sei como chamam agora, bailinho, festa americana, mas na minha época, aqui no sul, chamava-se "Reunião Dançante". Nesses eventos, os meninos levam a bebida e as meninas levam a comida, e fazem uma festa dançante. Não lembro bem da minha primeira "balada" assim, mas lembro de duas ocasiões: uma na casa de uma menina, a qual eu gostava, e dizíamos que estávamos namorando, e outra no meu aniversário, na minha casa. Lembro-me que na casa da "minha primeira namorada" tinha um grupinho de meninos e meninas que dançavam, e outros que ficavam pelos cantos, só rindo e brincando. Eu era do grupo que queria dançar com as meninas. Não sabíamos dançar, e tudo era um aprendizado. Nas primeiras festinhas, dançávamos só músicas lentas ou românticas, pois dançar separado era mais difícil, e só poucas meninas arriscavam tal proeza. Começávamos a dançar musicas românticas com os corpinhos afastados, e aos pouquinhos os meninos iam apertando mais as meninas. Umas não permitiam essa aproximação, e outras, aos poucos, iam cedendo. A exicitação dos meninos era visível, pois todos acabavam ficando de "barracas armadas". O grupo de meninos que não dançavam, só se devertiam com a excitação dos meninos que dançavam, porque não tinha como esconder os "tiquinhos duros". Nessa época, eu tinha 11 anos, que é a idade da minha filha.

A "Reunião Dançante" que eu fiz na minha casa, por ocasião do meu aniversário, foi às 15:00h de um sábado. Eu já tinha alguma experiência, pois já havia participado de outras festas semelhantes, já tinha dançado, e não tinha tanta timidez em convidar as meninas para dançar. Fechávamos as cortinas da sala para criar um clima noturno ou de pouca luz, e minha mãe entrava seguidamente na sala abrindo as cortinas para entrar luz, dizendo que era muito mais divertido dançar no claro. Quando ela saía, fechávamos novamente as cortinas, e a festa romântica continuava a rolar.

Agora tudo isso voltou-me à lembrança, pois era a minha filha que estava indo a sua "Primeira Reunião Dançante", e coube a mim levá-la e buscá-la em tal evento. Quando ela recebeu o convite, em um primeiro momento, ela disse que não iria, mas aos poucos eu fui incentivando ela a ir. Era no salão de festas do coleguinha de colégio, o menino que ela gosta. Ela é louca pelo menino, mas o menino só a esnoba. Dois dias antes da Reunião Dançante ela decidiu ir. Na festinha só foram convidados os coleguinhas da sua turma.

Eu estava meio apreensivo, pois parecia que eu estava levando minha filha a um antro de leões. Era visível a apreensão dela também, pois antes de saírmos, ela foi correndo ao banheiro, com dor de barriga. Tadinha! Ela estava nervosa, e eu entendia tudo aquilo, pois já tinha sentido isso no passado. Minha filha é muito parecida comigo, quando fica muito nervosa o intestino avisa. A festa começava às 19h30min e terminaria às 23h30min. Enquanto ela descarregava seu nervosismo no banheiro, eu procurava nos Mapas do Google como chegar ao endereço. Saímos. O salão de festas era em um condomíno enorme, desses de classe média, mas parecia uma cidade, face a quantidade de blocos de apartamentos. Deixei o carro do lado de fora e fomos os dois caminhando pelas pequenas ruas, entre os blocos de apartamentos, de mãos dadas, perguntando aos moradores onde era o tal dito salão de festas. A mãozinha dela suava muito, e a minha também. Logo, localizei um prédio térreo enorme, onde havia uns meninos da mesma idade, sendo que ela logo reconheceu o seu colega amado e outros coleguinhas, todos meninos. Fui me aproximando da entrada do salão, pois só largaria minha filha com um adulto responsável pela festa, de preferência a mãe do garoto anfitrião. Na porta de entrada do salão, olhei para dentro, sem entrar, e estava tudo muito escuro, com uma música muito alta. Um ambiente e iluminação típicos das melhores casas noturnas adultas. Logo veio a porta uma mulher, que era a mãe do anfitriãozinho da festa, seu amado, dizendo:
- Pode ficar tranquilo que eu estarei todo o tempo junto.
Aquilo me tranquilizou um pouco. Durante todo o percurso de casa para a festa, eu havia passado uma porção de recomendações e dicas para minha filha, mas quando eu me dirigia de volta ao carro, no meio do caminho, eu lembrei que havia esquecido de dizer que quando ela não quissesse mais dançar com um determinado menino, que ela pedisse licença e fosse sentar. Fiquei preocupado que havia esquecido aquela recomendação, porém, lembrei que ninguém havia me dito isso, também, e que muitas coisas ela iria aprender sozinha. Voltei para casa e fiquei preocupado, esperando a hora de buscá-la.

No horário previsto para término da festa, lá estava eu, pontualmente, às 23h 30min para buscá-la. Os meninos e meninas estavam todos na frente do salão, conversando, e esperando os pais. Falei com a mãe do anfitriãozinho, agradeci, e saí com minha filha de volta para casa. Durante o caminho, perguntei como havia sido a festa, e ela disse que tinha adorado, que tinha dançado bastante, principalmente, com o menino que ela gostava. Na festa havia 16 crianças, 10 meninos e seis meninas, como em toda balada normal, onde há mais homens que mulheres. Disse que brincaram da brincadeira da vassoura, onde todos dançavam, e um menino ficava com a vassoura, sendo que quem tinha a vassoura poderia tomar o par do outro. A vassoura sempre ficava com um menino, pois haviam mais meninos que meninas. A festa tinha um DJ que colocava as músicas e controlava as luzes. Ela só reclamou que tinha um menino que, enquanto dançava, mexia no cabelo dela, e eu pensei: - Que menino safado!

Mas deu tudo certo, e sei que daqui para frente as festas vão se multiplicar, e as descobertas vão ser maiores. Muitos amigos, que também são pais e mães, principalmente as mães de meninas, me contam que as coisas vão acontecer muito rápido dos 11 aos 12 anos. Eu vejo isso no corpo da minha filha, que se desenvolve a uma velocidade incrível. Ela está ficando uma mocinha, e logo virá a primeira menstruação.

Cada vez mais, vou ter que procurar orientá-la ao máximo, dando os limites necessários, e procurando passar orientações, torcendo que ela capte o máximo possível.

Os tempos são outros, eu sei, mas de uma certa forma a vida se repete nos filhos, e esses momentos são a oportunidade que temos de revivermos coisas do passado, e tentar passar nossas experiências a eles, apesar que experiências dificilmente são passadas, pois tem que serem vividas. Os limites têm que serem dados, mas sempre adaptados aos tempos de hoje.

Foi maravilhoso poder ter tido a oportunidade de curtir mais esse primeiro momento da minha filha, pois a primeira vez de cada uma de nossas experiências a gente nunca esquece.

23 comentários:

  1. que lindo...
    posso dizer q tbm estou curtindo cada fase da minha princesa e não quero nunca fazer as escolhas por ela e sim aconselha-lá sobre o certo e o errado ou melhor as maldades do mundo.

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  2. Grande e inesquecível experiencia!
    Acho que cada um de nós passou por algo semelhante. Eu também voltei ao tempo e lembrei das minhas festinhas e chamegos.
    Foi divino!Aproveitei muito da minha saudável adolescencia e juventude.
    Com os filhos, as experiencias também foram gratificantes. Com limites, muitos limites, mas com amor, muito amor, e hoje nao tenho do que reclamar.
    Segue com amor Paulo e tudo vai dar certo, como ja deu até agora. E que bom, que a tua menina, assim como os meus, também tem um pai que participa.
    Abracos a família e obrigada pela visita!

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  3. Que post delicioso amigo!
    Que bom que sua filha se divertiu e que deu tudo certo.
    Viajei no tempo agora...
    Lembro que também fiquei muito nervosa quando fui a primeira festinha na escola, eu era muito tímida, e também tinha dor de barriga.rs
    Ansiedade de pré-adolescente, mas com o tempo fui amadurecendo.
    Mas em alguns momentos não obedeci minha mãe não...Ela disse para eu não ir para a casa do menino, mas ele acabou me convencendo e eu fui escondida. Eu tinha 12 anos, ele 14, mas não aconteceu nada de mais, só uns amassos.Eu tinha muita vergonha.
    Hoje meu bebê tem 12 e tenho certeza que vai passar por tudo o que passei. Faz parte.
    Conselhos a gente dá, e muito, agora vai dos filhos, o que irão fazer dos nossos conselhos.
    Não poderemos estar com eles 24 hrs por dia para proteger.
    A fase das descobertas é a mais especial.
    Tenha um lindo dia.
    Com carinho, Lady.

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  4. Que lindo! Posso imaginar o valor desta experiência pra você!
    Parabéns pelo post :D

    beiijo
    *.*

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  5. Meu caro Paulo,

    Leio com prazer suas publicações.
    Eu sei bem! como se sente em criar sua filha da melhor forma possível. Não muda em nada.
    O comportamento, sentimentos e cuidados são os mesmos que todo pai, mãe com responsabilidades e deveres a cumprir tb assim os fazem.

    Muito natural a sua ansiedade junto a da mocinha Nathália.
    Fique sossegado, o caminho é exatamente o que está por vezes seguindo.

    Seu depoimento de pai é de uma grandeza de presença enorme. Excelente papai que a Nathália tem. Qto a educação de sua filha, nota 11.
    Qdo quiser sinta-se á vontade para conversar a respeito de qualquer dúvida que tiver em como lidar com meninas.Como vc já sabe, tenho uma já mocinha também.

    Hoje fiquei muito feliz! e quero compartilhar com vc isso, rs Ela chegou da escola com sorrisão aberto.Foi selecionada como uma entre alunos mais aplicados da sala.
    Houve até homenagens! imagine meu sorriso!
    daquele 'tamanhão' já conhece.Sorrio
    Enfim, volto a dizer, como pai está na direção correta. Parabéns!

    Abração com admiração!

    IT

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  6. Linda fase essa, fases de descobertas e o bom disso , é ela lhe permitir fazer parte disso.
    BjoO e boa noite!!

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  7. A vida é um ciclo que sempre se refaz em si mesmo. Agora, é a vez dela e é sua vez de entender o quanto sua mãe o esperava aflito de volta pra casa!

    Um beijo

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  8. Oi Paulo,fico mt envaidecida com seu comentário sobre a foto,obrigada!
    Lá no Rio,eu moro em Natal,mas sou do RJ a gente chama de festa americana e já participei de algumas. O teu texto me fez lembrar a minha primeira festa,só q não era americana e o meu primeiro beijo,foi estranho,mas me lembrei...aushauhs.
    Tenha um ótimo final de semana.
    :*

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  9. Obrigada pela visita =)

    tenha um ótimo domingo!
    beiijo,
    *.*

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  10. Nunca participei de festinhas assim. Que engraçado! Eu ia mesmo às baladas, mas aí já tinha uns 17 anos e era tão tímida no começo, que ficava no canto, sem dançar (embora morresse de vontade). Aos poucos fui me soltando e me tornei uma baladeira de plantão. Dançava a noite toda, mas detestava dançar músicas românticas. Quando essas começavam a tocar, eu fugia para o banheiro, para o bar ou outro ambiente. Durou bastante essa fase, mas como tantas outras, passou.
    BjO* Paulo!

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  11. Paulo,
    Seu texto enterneceu o lado esquerdo do meu peito.
    A vida Paulo é um enorme palco de emoções e, vivê-la é sobretudo a maior das emoções. Privar, aconselhar, empreender, apreender e, ensinar são acontecimentos que nos agasalham e, acarinham o lado esquerdo do peito por quem nutrimos um sentimento muito especial.

    Felicito-o pelo conteúdo e, forma escrita e, congratulo a sua pedrinha preciosa, pelo momento uno e, especial vivido.

    Um ténue e, delicado dia para si.

    Ana

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  12. Muito bem, um pai zeloso e sensato o suficiente para aceitar o inevitável e sempre pronto a ser presente de maneira positiva. Parabéns!

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  13. Que bonito, Paulo, você acompanhar o desenvolvimento de sua filha e as várias etapas de vida que ela vai passar. É tão importante a presença dos pais nessas horas. Parabéns por ser um pai participativo. Grande abraço.

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  14. Boa tarde, amigo Paulo.

    Que história gostosa de se ler...
    Primeiro, porque nos remete às nossas lembranças da adolescência. Na minha região, era chamado de "hora dançante". Os adultos ficavam por perto, e isso era bom.

    Fiz uma viagem no cenário de vocês. Pareceu-me estar juntinho o tempo todo, sentindo todas as emoções.

    Sua filha tem um pai amoroso, do qual ela jamais se esquecerá, mesmo que viva cem anos.

    O seu amor paternal me lembra aquele filme:
    "O PAI DA NOIVA". É lindo... chorei quando assisti pela primeira vez... pela segunda...

    Um grande abraço. Que Deus ilumine você e sua amada filha.

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  15. Nostalgia nao é omeu forte...mas vc tem dom pra narrativa...

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  16. Você falando assim, até me deu uma pequena nostalgia, hahahaha. Não me lembro quando foi a minha primeira reunião dançante. Mas, independente da época, acho que o friozinho na barriga deve ser o mesmo.
    Adorei o post, deu saudade do meu tempo também.
    Meu filho, que está com 13 anos e é completamente tímido, ainda não estreou a sua primeira festinha dançante, mas logo, logo, estarei eu nessa sua situação, rs.
    Beijos, Paulo!

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  17. Paulo,

    Os filhos crescem e com eles as preocupações. Só que a satisfação de ver nossos filhos bem criados é maior que tudo.

    Que sua noite seja de luz.

    Rebeca

    -

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  18. Bom dia, amigo Paulo.
    Vim lhe dar um abraço.

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  19. Papai, não vai colocar nenhuma postagem do Michael Jackson????????????????????????????

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  20. Nostalgia formidável..
    Bom saber que a vassoura "grande cupido" de nossa época ainda sobrevive num mundo onde as raves,drogas e bebidas pedominam.

    Luz e sorrisos..

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  21. Oi sou sua nova seguidora... rs
    não tenho experiência de mãe, mas esse post de amor de paizão me cativouu :D , espero continuar acompanhando essas mensagens nas minhas navegações pela net...
    Bjinhoss

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