domingo, 17 de abril de 2011

O Mundo Encantado de Beto Carrero World.

Em janeiro deste ano, eu fiz uma viagem que há muitos anos eu havia planejado, mais precisamente, quando nasceu minha filha Nathália: conhecer o Parque Beto Carrero World.

A partir dos dois aninhos dela, eu já estava muito predisposto a ir ao Beto Carrero, porém, todas as pessoas as quais eu falava, e que já tinham ido ao parque, recomendavam-me que deixasse ela crescer um pouco, pois criança muito pequena não aproveita nada nesse tipo de parque temático, e que a partir dos oito anos é que ela aproveitaria alguma coisa. Segui o conselho da maioria, e quando ela estava prestes a completar 12 anos, resolvi fazer a viagem. Aliás, eu e minha filha estivemos no Beto Carrero World uma semana antes do aniversário dela.

Como a distância de Porto Alegre ao Balneário da Penha/SC, onde localiza-se o Beto Carrero World, é de, aproximadamente, 590 Km, ou seja, umas 7h30min de carro, nas minhas férias de verão, passei alguns dias em Garopaba, que é uma praia paradisíaca em Santa Catarina, e que fica distante 414Km de Porto Alegre, ficando, assim, bem mais perto do parque, ou seja, aproximadamente, 1h15min de carro. Reservei quatro dias para conhecer o parque: um dia de viagem para a ir e procurar um hotel ou pousada para as pernoites, e um dia para volta, pois a intenção era deixar dois dias, exclusivamente, para conhecer e curtir o parque, pois eu já sabia que um dia só seria insuficiente, e que em dois dias poderíamos conhecer tudo, mas confesso que faltou o terceiro dia, mas mesmo assim, posso dizer que conhecemos quase tudo.

Confesso que no fundo eu tinha um certo preconceito ou resistência em conhecer o Beto Carrero Word, pois eu tinha a idéia que encontraria um "clichê" da Disney World, já que todas as todas as versões brasileiras de invenções americanas sempre são um fracasso. Em contrapartida, todas as pessoas as quais eu comentava sobre o parque, e que o já tinham visitado, diziam que tudo era um maravilhoso sonho.

Cheguei à tardinha ao Beto Carrero World, a ao avistar o parque de longe, à beira da estrada de acesso da BR 101 ao Baneário da Penha/SC, já pude perceber que eu estava completamente enganado quanto ao meu conceito prévio, e que dias maravilhosos viriam pela frente por conta daquele "Mundo Encantado". Mesmo ao longe, era possível ouvir o grito das pessoas nos brinquedos radicais, ou imaginar os suspiros, com tantas maravilhas que o parque proporciona.

Eu ainda não conheço pessoalmente a "Disney World", a qual pretendo conhecer ainda, mas pelas imagens que já vi, e pelo depoimento de pessoas que curtem profundamente aquele parque temático, me arrisco a dizer que Beto Carrero World até lembra a Disney, mas é completamente diferente, pois a temática é completamente outra. Eu diria que Disney baseou a temática do seu parque em seus personagens, tão conhecidos por todos nós, e que Beto Carrero criou um personagem em cima de sua pessoa, a qual gira toda a temática do seu parque. Dizem que quando Beto Carrero era vivo, era possível vê-lo com frequência pelo parque, montado em seu cavalo "Faísca", fazendo shows ao ar livre, falando com as pessoas, e tirando foto com as crianças. Mas, mesmo após a sua morte precoce, em fevereiro de 2008, é possível sentir sua presença em cada detalhe, em cada brinquedo, em cada animal, em cada funcionário do parque, e em cada sorriso de criança.

Durante um jantar em uma pizzaria em Penha/SC, no primeiro dia de passeio, tive a oportunidade de conversar com o dono do estabelecimento, que conheceu, pessoalmente, João Batista (Beto Carrero). João Batista era uma pessoa muito carismática, excelente fisionomista, e uma pessoa que se relacionava bem com as pessoas de todas as camadas sociais. As pessoas de Penha adoravam João Batista. Ele não andava vestido de "cowboy" fora do parque, ou seja, de personagem Beto Carrero, mas a única coisa que ele nunca dispensava era o chapéu, sua marca registrada. Meu interlocutor disse-me que, certa vez, em um restaurante de frutos do mar em que trabalhava como garçon, a qual eu também conheci e recomendo, Beto Carrero reconheceu-o, e perguntou por que ele trabalhava em dois empregos, já que meu interlocutor trabalhava como garçon na pizzaria a qual hoje ele é sócio, e nesse restaurante de frutos do mar, sendo que Beto Carrero frequentava ambos. O garçon, na época, respondeu que ganhava pouco, e que precisava ter dois empregos para poder se manter. Foi aí que Beto Carrero convidou-o para trabalhar no parque, dizendo que ele não precisaria ter dois empregos para se sustentar. Hoje, ele não precisa mais trabalhar no parque, pois é sócio da pizzaria em que trabalha. O dono da pizzaria, também, na ocasião, contou-me que a estrada de acesso da BR 101 até o Balneário da Penha, e que passa em frente ao parque, foi construída por Beto Carrero. Essa rodovia é muito bem pavimentada em pista dupla, e hoje é conhecida como "Transbeto".

Antes da sua morte, Beto Carrero tinha um projeto de ligar o Aeroporto Internacional de Navegantes com o parque, através de um "trem bala". Talvez, um dia, esse projeto ainda seja levado adiante.

O Aeroporto Internacional de Navegantes é um importante aeroporto de Santa Catarina, e fica distante 10 Km, aproximadamente, do Beto Carrero World. Portanto, é muito fácil, de qualquer parte do Brasil, você chegar ao Beto Carrero World. Além do que, alguns hotéis e pousadas de Penha/SC oferecem o serviço de translado do aeroporto até o hotel. Grande parte dos hotéis ficam muito próximos ao parque. Eu, particularmente, fiquei em uma pousada muito confortável, distante à 15 minutos a pé do parque, ou seja, durante dois dias, eu nem vi a cor do carro. Hoje, com a experiência que tenho dessa viagem, eu iria de avião ao Beto Carrero, através do aeroporto de Navegantes. O tempo de voo entre Porto Alegre e Navegantes é, aproximadamente, 45 minutos. Uma barbada.

O parque Beto Carrero World abre nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, e também no mês de julho. Se você estiver programando sua viagem, vale a pena verificar os dias de funcionamento no site oficial. O parque tem crescido todos os anos, sempre com novos investimentos e novas atrações. Hoje, está sendo gerenciado pelo filho mais velho de Beto Carrero. Alexandre, o filho, criou-se no parque, e já trabalhava desde pequeno com o pai.

Eu não fiz muito planejamento para essa viagem. Aliás, nas minha viagens, adoro a sensação de descoberta no local, e isso sempre tem dado certo. Mas você pode programar-se com antecedência, e a internet é perfeita para isso.

Nunca gostei de viajar sozinho. Aliás, nunca tive essa experiência, a não ser a trabalho. Entendo que cada viagem tem sua vida própria, e deve ser feita com a companhia certa. Essa viagem, por exemplo, só faria sentido com minha filha Nathália. Com ela e por ela curti cada momento, cada fantasia, e cada emoção do parque. Nesses dois dias, as palavras que eu mais ouvia eram: "Papai, muito obrigado, eu te amo demais". Foi tudo muito emocionante.

Essa viagem mostrou-me que não se deve ter conceitos prévios sobre lugares e viagens. A opinião das pessoas que já foram a esses lugares é só o olhar delas sobre o lugar ou viagem. Aprendi a admirar, também, um homem chamado BETO CARRERO. Um homem que tinha um sonho para as crianças do Brasil, e por que não dizer do mundo, um homem puro em sua essência, e que amava os animais. Um homem que será eternamente lembrado por sua obra, por sua essência, e pelo seu sonho.

Conheça Beto Carrero como eu conheci. Simplemente, um homem que teve um sonho lindo!

Como diz o velho provérbio: "Uma imagem vale por mil palavras". A seguir, algumas imagens da linda e emociante viagem que fiz com minha filha Nathália ao MUNDO ENCANTADO DE BETO CARRERO WORLD:











segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O sonho de um amigo navegador.


Vejo as pessoas falarem de suas viagens. Viajar, realmente, é maravilhoso. Ver paisagens novas, coisas novas, e pessoas novas, tudo isso renova a nossa vida.

Confesso que passei a gostar de viajar a passeio de uns anos para cá, pois sempre viajei muito a trabalho, e viajar sempre foi sinônimo de trabalho. Eu achava que era um dinheiro posto fora, pois ficavam só as lembranças, e você não tinha como recuperar esse investimento, pelo menos de uma forma tangível. Mas as pessoas mudam, e eu também mudei radicalmente minha opinião.

Planejo fazer muitos roteiros interessantes, e já tenho uma lista enorme deles. Muitos, com certeza, será com pessoas especiais, pois uma viagem passa a ter um significado diferente quando se está com as pessoas certas, na hora certa, no lugar certo. Assim, a viagem passa a ser um link na memória, e lembraremos dessas pessoas para sempre, e tudo será inesquecível para nós. Até mesmo na cidade em que vivemos, lugares ficarão imortalizados e terão um significado diferente, quando tivermos tido momentos inesquecíveis com uma pessoa especial, nesses lugares.

Existe uma infinidade de lugares no mundo e culturas diferentes para se conhecer. Alguns comuns, que a história e a mídia imortalizaram, e outros poucos comuns. Admito que os lugares pouco comuns me fascinam muito, ou seja, aqueles que poucas pessoas conhecem. Mas viajar, seja para onde for, faz bem para a alma de qualquer pessoa.

Gosto muito de ouvir histórias de viagens. Vejo como há uma diversidade enorme de opiniões sobre os lugares visitados. Alguns gostam de um determinado lugar, e outros decepcionam-se com os mesmos lugares. Tudo depende da pessoa que está viajando, da companhia, e do significado daquela viagem para nossas vidas. Já vi muitas pessoas dizerem que se decepcionaram ao visitarem o arquipélago de Fernando de Noronha, por exemplo. E outras, simplesmente, amaram. Onde está a diferença? Claro que não é em Fernando de Noronha, mas, sim, nas pessoas, no momento em que elas estão vivendo, e, principalmente, no olhar de cada um. Acho que aqueles que não gostaram do arquipélago, é porque planejaram mal a viagem. Alguns amigos que aproveitaram esta viagem na sua totalidade me contaram que somente 20% da beleza da ilha está na superfície, pois os outros 80% da sua beleza está no fundo do mar. Dizem que mergulhar na ilha é uma experiência indescritível. No local, a ilha tem toda uma infraestrutura para mergulho, equipamento, filmam e fotografam seu mergulho, bem como seu contato com a natureza, e que possui uma beleza sem igual. Entre outras aventuras que pretendo fazer, mergulhar é um sonho que eu tenho, e que vou realizar qualquer hora dessas. Já ouvi falar de outros lugares como Parati no Rio de Janeiro, ou das ilhas gregas, que também são paraísos submarinos, em que a beleza submersa é tão ou mais linda que a beleza na superfície.

Mas o queria contar hoje, nessa mesa de bar, é sobre uma viagem inusitada que um amigo e ex colega de empresa está fazendo, bem como a maneira pela qual nos encontramos, quando ele me contou da sua viagem, o que foi muito interessante. Eu estava caminhando pelo centro de Porto Alegre, e nos cruzamos, casualmente. Fazia três meses que ele estava aposentado, e disse que estava em viagem. Como ele poderia estar em viagem, se nos encontrávamos naquele momento? Imediatamente, convidei-o para tomar um café e me contar essa história.

Esse colega fez uma linda carreira na empresa em que eu trabalho. Trabalhamos juntos na engenharia, pois ele é arquiteto e eu engenheiro. Em sua trajetória profissional, chegou a ser Diretor de Tecnologia. Aposentou-se moço, e teve mais de um casamento. Em nenhum dos casamentos teve filhos. Antes de aposentar-se, teve seu último e mais recente casamento, da qual nasceu seu primeiro filho, um gurizinho, que sempre foi o seu sonho. Ele sempre gostou de velejar, e alguns anos atrás comprou um veleiro. Um barco grande, que possui uma cabine confortável, um pequeno apartamento de um dormitório. Pois bem, durante uns 5 anos antes da aposentadoria, aprendeu a velejar e velejou bastante, sempre nas águas do Rio Guaíba, aqui em Porto Alegre, e nas águas da Lagoa do Patos no RS. Pegou alguma experiência em navegação, e já tinha planos pós aposentadoria de fazer a sua viagem de sonhos.

Sentamos no café, e ele começou a me contar essa história de viagem. Disse que depois de se aposentar, pegou a mulher e o filhinho, embarcou no veleiro, e zarpou pelo Rio Guaíba, cruzando a Lagoa dos Patos, e entrando no Oceano Atlântico, através do Porto de Rio Grande/RS. Inicialmente, a viagem não teve paradas, e navegou alguns dias pela costa gaúcha e catarinense, até Florianópolis em Santa Catarina. Sua primeira parada foi em Florianópolis, onde ancorou seu barco, abasteceu com mantimentos, e visitou as 42 praias da ilha, e assim ele está viajando. Disse-me que já está no litoral do Rio de Janeiro, com seu barco ancorado, e que o destino final é Fernando de Noronha, sendo que a viagem de volta vai ser mais cansativa, pois vai voltar direto, ou melhor, com poucas paradas, só para abastecer o barco com mantimentos. Ele já está há meses viajando, acordando em alto mar, ou ancorado em alguma praia diferente desse nosso lindo litoral. Que maravilha isso! Aí eu perguntei o que ele estava fazendo em Porto Alegre, então? E ele me respondeu que seguidamente vem à POA, pelo menos uma vez por mês. Deixa seu barco ancorado em alguma praia do Brasil, pega algumas roupas, a mulher e o filhinho, e voa para Porto Alegre, para ver como está sua casa, e pagar algumas contas. Disse, também, que vai ficar uns 2 anos nessa "vidinha difícil", pois quando seu filho tiver 5 anos terá que ir para o colégio.

Quanto ao custo de vida nessas condições, ele me disse que não é nada exorbitante, que o mais caro são as passagens aéreas, já que ele viaja uma vez por mês de alguma parte do Brasil para Porto Alegre. Na verdade, o custo da viagem é como se ele e sua família estivessem vivendo em Porto Alegre, já que ele carrega sua casa para os lugares por onde anda. O investimento inicial foi do veleiro, que também é acessível para qualquer mortal, sendo comparado ao custo de um carro intermediário. É só ter o sonho e priorizar investimentos.

Conversamos mais um pouco, e nos despedimos. Eu voltei à minha rotina de trabalho, e ele à sua merecida aposentadoria.

E tem gente que não sabe o que fazer quando se aposenta. Claro que, quem não tem uma aposentadoria complementar, e tem que viver com a miséria do INSS na aposentadoria, já tem outra realidade. Mas isso valeria, quem sabe, um outro post.

Boa sorte, JR! Continue aproveitando bem o resto da sua vida, e boa viagem, meu amigo navegador!


P.S.: Para quem quiser acompanhar a viagem do meu amigo navegador, ele está fazendo um Diário de Bordo em forma de blog.

Acesse: http://veleiroeasygoing.blogspot.com

sábado, 6 de novembro de 2010

Tudo é falta de tempo?


Em primeiro lugar, gostaria de pedir desculpas aos meus amigos da blogsfera, que já são tantos, pela minha ausência do BAR DOS NAVEGADORES. São tantas demosnstrações de carinho que tenho recebido, através de comentários e e-mails, de amigos que sentem a minha ausência do BAR. A estes gostaria de agradecer, profundamente. É para vocês que escrevo sempre, pois é muito gostoso saber que você está no pensamento de alguém, mesmo à distância. É uma amizade fantástica e, mesmo ausente do blog, gostaria de dizer que cada um de vocês é muito especial para mim.

Tenho, realmente, sentido um pouco a falta de tempo, mas a falta de postagens fez-me refletir sobre esse assunto tão simples e comum a todos: a falta de tempo.

O tempo é o único bem que é dado a todos igualmente, porém, essa administração depende de cada um. Por isso, não aceito desculpas de falta de tempo, nem de mim mesmo, nem das outras pessoas, pois tudo é uma questão de prioridade. Você prioriza algumas coisas em detrimento de outras. Quando uma pessoa dá a desculpa que não teve tempo de fazer algo, que não foi àquele encontro com os amigos, ou que não tem tempo de assumir um determinado compromisso, o que ela está lhe dizendo, na verdade, é que ela tem outras prioridades.

Mas, é impressionante como as pessoas costumam, ainda, usar a falta de tempo como a desculpa mais esfarrapada do mundo para todas as situações, sem dar-se conta que estão dizendo para outra pessoa que não fizeram determinada coisa, porque priorizaram outras.

O tempo não é a melhor desculpa, ou melhor, é a pior desculpa do mundo.

Posso dizer para vocês que minha vida anda muita corrida, mesmo. Estou fazendo minha segunda especialização, e mais dois cursos, simultaneamente. Trabalho 8 horas por dia, e ainda tenho que que fazer trabalhos desses cursos. Estou priorizando essas coisas? É claro que estou, e nem por isso vou dizer que não tenho tido tempo para escrever. E pensando sobre essas coisas, passei a refletir o porquê não estava escrevendo mais no blog, se estava priorizando outras coisas em detrimento do BAR DOS NAVEGADORES, e cheguei a uma simples conclusão: vocês, meus amigos, são muito importantes para mim, e minha ausência não se dá por falta de tempo. Com vocês tenho compartilhado textos e lido idéias muito legais, além da amizade que temos feito e cultivado, e que para mim independe da minha presença ou não aqui na blogsfera. A verdade é que ando meio sem assunto, sem inspiração, e não que não tenham acontecido coisas interessantes para compartilhar, mas não sei ainda por que está ocorrendo essa falta de inspiração para escrever. Talvez, muito de vocês que tem blog saibam do que eu estou falando, pois já vi muitos de meus amigos blogueiros passarem pela mesma situação. Até escritores famosos, que tem obrigação de escrever uma coluna diária ou semanal, tem esse problema, por que nós não o teríamos?

Mas enfim, meus amigos! Eu quero agradecer a cada um de vocês por fazerem parte da minha vida, por sentirem a minha falta, e dizer a todos que vocês são muito especiais, e que não tenho aparecido por falta de inspiração, de uma certa introspecção, mesmo, que vocês, meus amigos, são prioridade para mim, e que não tenho aparecido por algum motivo que ainda não consegui identificar, precisamente. Estou bem, estou preparando o futuro, e quero dizer que sinto muita falta de vocês, também, mas aprendi a respeitar os meus momentos.

Esse BAR DOS NAVEGADORES é muito especial para mim, por causa de vocês.

Um abraço a todos os meus melhores amigos: os meus amigos blogueiros...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O desabafo do poeta.


POEMA EM LINHA RECTA



Nunca conheci quem tivesse levado porrada.

Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,

Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,

Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,

Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,

Eu verifico que não tenho par nisso tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo

Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu enxovalho,

Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana

Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;

Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!

Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.

Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?

Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semi-deuses!

Fernando Pessoa
Imagem: Google

domingo, 29 de agosto de 2010

Pessoas que fazem parte de nossas vidas.


Pessoas entram na sua vida,
por uma RAZÃO,
por uma ESTAÇÃO,
ou por uma VIDA INTEIRA.

Quando perceber qual motivo é,
você vai saber o que fazer com cada pessoa.

Quando alguém está em sua vida por uma RAZÃO,
É, geralmente, para suprir uma necessidade que você demonstrou.

Elas vêm para auxiliar em uma dificuldade, fornecer apoio e orientação,
ajudar física, emocional, ou espiritualmente.

Elas poderão parecer dádivas de Deus,
E são!

Elas estão lá pela razão que você precisa.
Então, sem nenhuma atitude errada de sua parte, ou em uma hora incoveniente, esta pessoa vai dizer ou fazer coisa para levar essa relação ao fim.

Às vezes, essas pessoas morrem,
Às vezes, elas simplesmente se vão,
Às vezes, elas agem e te forçam a tomar uma posição.

O que devemos entender é que nossas necessidades foram atendidas,
nossos desejos preenchidos,
e o trabalho delas feito.
As suas orações foram atendidas.
E agora, é tempo de ir.

Quando pessoas entram em nossas vidas por uma ESTAÇÃO,
É porque chegou a sua vez de dividir, crescer, e aprender.

Elas trazem para você a experiência da paz,
ou fazem você rir.

Elas poderão ensinar algo que você nunca fez.

Elas, geralmente, dão uma quantidade enorme de prazer.
Acredite!
É real!

Mas...
Somente por uma ESTAÇÃO.

Relacionamentos de uma VIDA INTEIRA,
Ensinam lições para a vida inteira.
Coisas que você deve construir para ter uma formação emocional sólida.

Sua tarefa é aceitar a lição, amar a pessoa, e colocar o que você aprendeu, em uso, em todos os outros relacionamentos e áreas de sua vida.

É dito que o amor é cego,
Mas a amizade é clarividente.

As pessoas não passam na vida da gente por acaso,
ainda que seja o mais infeliz dos seres,
sempre temos algo a aprender ou ensiná-lo.

Só vamos saber o resultado desse encontro no final.




COMENTÁRIO DO BAR DOS NAVEGADORES:
Recebi essa mensagem de uma grande amiga, uma pessoa muito especial, e quero compartilhar esse texto com todos os meus amigos do blog.
Seja lá por qual motivo se deram cada um dos nossos encontros, mas cada um deles é muito especial.


Foto: Google imagens


domingo, 8 de agosto de 2010

Feliz Dia dos Pais, meu Pai!



Hoje é Dia dos Pais. Não sou muito adepto a essas datas, pois acho que Dia dos Pais, Dias das Mães, Dia dos Namorados, Dia das Crianças, entre outras, deveriam ser todos os dias. Mas, enfim, no fundo essas datas existem para estimular o comércio. Sem contar que o Dia dos Pais acaba criando um problema para as crianças que não têm um pai para dar um presente, ou porque elas não o conhecem, o pai já morreu, ou eles (pais) não se importam com elas (crianças). No colégio sempre fazem comemorações aos pais neste dia, e é triste de ver que tem crianças que não participam desses eventos por falta de pai, ou homenageiam um tio, um avô, ou outra pessoa como substituto. É assim mesmo, alguém acaba substituindo essa figura masculina do pai para essas crianças.

Neste dia eu sempre tenho muitas recordações da minha relação com meu pai, da minha relação com minha filha, e do sentimento lindo que é ser pai.

Lembro que a figura do pai é a do super herói, do homem que pode tudo, aquele homem que é o máximo para você, e que te influencia até nos gostos da tua infância. Por exemplo, minha filha curte as mesmas coisas que eu gosto, quer fazer igual, e tem-me como referência. Isso é uma responsabilidade muito grande, pois no futuro, provavelmente, ela escolherá um homem para casar ou ser seu companheiro, com base nessa referência masculina.

Quando a mãe da minha filha me deu a notícia de que eu seria pai, eu não acreditei e disse:
- Não brinca com essas coisas! Isso só acontece com os outros!
Porque, realmente, é uma coisa sublime ser pai, pois te dá um novo sentido e responsabilidade à vida.

Sempre que me diziam que minha vida iria mudar ao ser pai, e eu não acreditava nisso. Mas, a vida muda, mesmo! Você começa a pensar em um futuro mais a longo prazo, e não faz mais coisas que você faria se estivesse sozinho, pois agora você tem alguém que depende de você.

Eu tive a oportunidade de acompanhar o parto da minha filha, peguei-a no colo antes da mãe dela, levei-a nos primeiros instantes de sua vida, ao colo, para fazer os primeiros procedimentos pós-parto, e, também, fui mostrá-la aos familiares e amigos no visor de vidro, que eu chamo de vitrine, no hospital, logo após seu nascimento, todo orgulhoso. Acompanhei e acompanho todas as suas etapas de vida, como que revivendo muitas delas com sua infância.

Às vezes, quando estou triste, o que me consola e me arranca um sorriso é quando ela me beija e me diz: - Papai! Eu te amo! Você é o máximo!
Isso derrete o meu coração.

Estou aproveitando ao máximo o finalzinho da infância da minha filha, pois daqui a pouco vêm os namorados e outros interesses, mas sei que o meu espaço conquistado sempre estará lá, no seu coração.

Vejo que meu pai, o avô da minha filha, tem uma fascinação por ela. Ele faz coisas para a neta que não fazia para os filhos. Isso é uma característica de todos os avôs, pois uma vez li que você se torna avô quando está preparado para ser pai. Quando se é avô, acredito que você, realmente, está mais preparado para ser pai, pois tem mais tempo, muitas vezes já está aposentado, não tem mais a pressão do trabalho, tem mais tempo e experiência necessários para ser pai, podendo reviver tudo de novo o que você viveu com seus filhos, através de seus netos. É como se seu pai fizesse para você o que não fez, através de seus filhos.

Mas há um tempo em sua vida, quando você cresce, que você muda, que algumas referências do pai se perdem, o que é natural, pois você vê que ele não é um super herói, mas, sim, um ser humano como qualquer pessoa, com seus defeitos e limitações, e você o respeita, por toda a sua história de vida e lutas, e por ter te ajudado a ser quem você é.

Tem uma música, com letra e música do Fábio Júnior, que se chama "Pai", que eu acho linda, e que expressa todo o sentimento de um filho para com o pai, e que poderia resumir tudo o que eu queria dizer ao meu pai, neste Dia dos Pais:

Pai

Pai!
Pode ser que daqui algum tempo
Haja tempo prá gente ser mais
Muito mais do que grandes amigos
Pai e filho talvez...

Pai!
Pode ser que daí você sinta
Qualquer coisa entre
Esses vinte ou trinta
Longos anos em busca de paz...

Pai!
Pode crer, eu tô bem
Eu vou indo
Tô tentando, vivendo e pedindo
Com loucura prá você renascer...

Pai!
Eu não faço questão de ser tudo
Só não quero e não vou ficar mudo
Prá falar de amor
Prá você...

Pai!
Senta aqui que o jantar tá na mesa
Fala um pouco tua voz tá tão presa
Nos ensine esse jogo da vida
Onde a vida só paga prá ver...

Pai!
Me perdoa essa insegurança
Que eu não sou mais
Aquela criança
Que um dia morrendo de medo
Nos teus braços você fez segredo
Nos teus passos você foi mais eu...

Pai!
Eu cresci e não houve outro jeito
Quero só recostar no teu peito
Prá pedir prá você ir lá em casa
E brincar de vovô com meu filho
No tapete da sala de estar
Ah! Ah! Ah!...

Pai!
Você foi meu herói meu bandido
Hoje é mais
Muito mais que um amigo
Nem você nem ninguém tá sozinho
Você faz parte desse caminho
Que hoje eu sigo em paz
Pai! Paz!...


FELIZ DIA DOS PAIS, MEU VELHO PAI!!!


sábado, 31 de julho de 2010

O sétimo sentido.

Em recente viagem ao Chui, extremo sul do Brasil, cidade dos "free shops" uruguaios, comprei um vídeo game para minha filha. Em um outro momento falo dessa viagem, a qual vi coisas muito interessantes. Faz muito tempo que Nathália me pede um videogame NINTENDO WII BLACK, lançamento no EUA, que ainda não está a venda no Brasil . Fui ao Chui, não para comprar o video game, mas para passear, e conhecer a última fronteira do Brasil, tão citada em todo o país, quando refere-se a extensão territorial: "do Oiapoque ao Chui".

Quando vi o vídeo game funcionando, fiquei impressionado com a interatividade desses video games de última geração. Eles não tem mais, simplesmente, um controle cheio de botões ou joysticks, como até agora tinham. O controle do game faz parte, praticamente, do corpo da pessoa. É um controle que possue uma alça, com uma capa toda emborrachada para evitar choques, pois a interatividade é grande. Por exemplo, tem um jogo que tem um tiro ao alvo de arco e flecha. Nesse jogo você usa dois controles, um é o arco imaginário, e o outro é como se você segurasse a flecha. Você segura o arco e o aponta para o vídeo, e com o outro, você puxa a flecha no arco, e no vídeo, conforme você puxa o controle para trás, vê a flecha se movimentando no arco. Você faz a pontaria e solta a flecha através de um botão no controle. Em outro jogo, você joga basquete. Nesse, você tem que fazer um movimento com o controle amarrado em sua mão, como se estivesse quicando a bola, e quando tem que arremessar para cesta, você tem que pular, para o bonequinho no vídeo pular também, e arremessar imaginariamente a bola, com as duas mãos, para que o arremesso seja feito. É como se você estivesse, realmente, jogando basquete. Há vários jogos. Tem um outro, também, que você luta com uma espada, e tem que movimentar a espada com a mão, como se estivesse com ela, realmente, na mão. Fantático!!! Depois de algumas horas de jogo, a impressão que se tem é que você praticou realmente aqueles esportes, ficando cansado, fazendo um esforço igual. Não estou dizendo aqui que um vídeo game vá substituir qualquer esporte. Longe disso. Estou falando da "realidade virtual" e da interatividade que esses novos videos games estão apresentando.

Isso fez-me pensar sobre as palavras, paradoxalmente, tão usadas hoje em dia: "realidade virtual". O que é real e o que é virtual? O cérebro humano assume como realidade o que sente e o que vê, por isso é que os vídeo games, os computadores, e a internet, fazem tanto sucesso nessa última geração de indivíduos, chamada de geração Y. Mas a pergunta não quer calar: O que é real, e o que é virtual? O que você sente e vê é realidade? O que é realidade para alguns é imaginário para outros. Assim, são as realizações também. Tudo o que hoje é físico e real para alguns, um dia foi idealizado e foi virtual. Claro que todos nós concordamos que um vídeo game é uma coisa puramente virtual ou imaginária. Esses, de última geração, então, é como se fossem verdadeiros simuladores da vida.

Aí veio-me outra pergunta: a internet é real ou virtual? Eu, por exemplo, adoro jogar xadrez pela internet. E o jogo é muito real, pois jogo on line, e sei que quem está movimentando as peças adversárias é um ser humano, ou seja, é uma mente humana criando estratégias e armadilhas no jogo. Em termos de jogos, eu definiria como real quando você joga com outro ser humano, e virtual, quando você joga contra uma máquina.

Seguindo a definição anterior, eu diria que, em se tratando de interação de pessoas, a internet é mais real do se pode imaginar. Eu diria até que é tão real quanto um contato físico. Claro que o olhar e contato físico são indispensáveis. Porém, a internet é mais uma ferramenta de interação entre as pessoas. Através dos blogs, do MSN, e do e-mail, você conhece a alma das pessoas, não as conhecendo somente pela aparência física, ou de uma forma superficial. Por mais que uma pessoa queira se esconder atrás de uma tela de computador, sempre deixa rastros de sua essência, nos blogs, na sua escrita, ou em mensagens.

Eu diria que a tecnologia e os computadores criaram a necessidade de desenvolvermos mais nosso sexto sentido, lendo nas entrelinhas dos textos dos blogs, dos e-mails, e das mensagens instantâneas, a verdadeira essência e o sentimento das pessoas. Ou será um sentido novo, um sétimo sentido que está sendo desenvolvido pelo ser humano?