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quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Por que não há atentados terroristas no Brasil?



Estado Islâmico queria explodir Cristo Redentor junto com ação terrorista na França.

                                                                                                    Foto da internet
Documentos descobertos e mantidos em sigilo pela Polícia Federal do Brasil, FBI e Polícia Francesa revelam que o Estado Islâmico (ISIS), teria ordenado a execução de um atentado no Brasil.
O alvo da ação seria a estátua do Cristo Redentor, um dos símbolos mais conhecidos do Rio de Janeiro. Foram enviados para o sequestro de um avião que seria lançado contra a "estátua-símbolo dos infiéis cristãos".
Os registros da Polícia Federal dão conta de que os dois terroristas chegaram ao Rio no domingo, 1 de    novembro , às 21h47m, num voo da Air France.
A missão começou a sofrer embaraços já no desembarque, quando a bagagem dos muçulmanos foi extraviada, seguindo num voo para o Paraguai.
Após quase seis horas de peregrinação por diversos guichês e dificuldade de comunicação em virtude do inglês ruim, os dois saem do aeroporto, aconselhados por funcionários da Infraero a voltar no dia seguinte, com intérprete. Os dois terroristas apanharam um táxi pirata na saída do aeroporto, sendo que o motorista percebeu que eram estrangeiros e rodou duas horas dando voltas pela cidade, até abandoná-los em lugar ermo da Baixada Fluminense. No trajeto, ele parou o carro e três cúmplices os assaltaram e espancaram.
Eles conseguiram ficar com alguns dólares que tinham escondido em cintos próprios para transportar dinheiro e pegaram carona num caminhão que entregava gás. Na segunda-feira, às 7h33m, graças ao treinamento de guerrilha no Afeganistão, os dois terroristas conseguem chegar a um hotel de Copacabana.
Alugaram então um carro e se perderam no Rio, entraram para o lado da Rocinha e o carro foi totalmente metralhado, mais uma vez graças ao treinamento de guerrilha se safaram, voltaram para aeroporto, determinados a sequestrar logo um avião e jogá-lo bem no meio do Cristo Redentor. Enfrentam um congestionamento monstro por causa de uma manifestação de estudantes e professores em greve e ficaram três horas parados na Avenida Brasil, altura de Manguinhos, onde seus relógios foram devidamente roubados em um arrastão. Às 12h30m, resolvem ir para o centro da cidade e procuram uma casa de câmbio para trocar o pouco que sobrou de dólares.
Recebem notas de R$ 100,00 falsas, dessas que são feitas grosseiramente a partir de notas de R$ 1,00.
Por fim, às 15h45m chegam ao Tom Jobim para sequestrar um avião.
Aeroviários e passageiros estão acantonados no saguão do aeroporto, tocando pagode e gritando slogans e palavras de ordem contra o governo.
O Batalhão de Choque da PM chega batendo em todos, inclusive nos terroristas.
Os árabes são conduzidos à delegacia da Polícia Federal no Aeroporto, acusados de tráfico de drogas, visto que tiveram plantados papelotes de cocaína nos seus bolsos.
Às 18 horas, aproveitando o resgate de presos feito por um esquadrão de bandidos do Comando Vermelho, eles conseguem fugir da delegacia em meio à confusão e ao tiroteio. Às 19h05 eles se dirigem ao balcão da GOL para comprar as passagens.
Mas o funcionário que lhes vende os bilhetes omite a informação de que os vôos da companhia estão suspensos.
Eles então discutem entre si, pois começam a ficar em dúvida se destruir o Rio de Janeiro, no fim das contas é um ato terrorista ou uma obra de caridade.
Às 23h30m, sujos, doloridos e mortos de fome, decidem comer alguma coisa no restaurante do aeroporto. Pedem sanduíches de churrasquinho com queijo de coalho e limonadas. Só na terça-feira, às 4h35m, conseguem se recuperar da intoxicação alimentar de proporções equinas, decorrente da ingestão de carne estragada usada nos sanduíches. Foram levados para o Hospital Miguel Couto, depois de terem esperado três horas para que o socorro chegasse e percorresse os hospitais da rede pública até encontrar vaga. No HMC foram atendidos por uma enfermeira feia, grossa, gorda e mal-humorada.
Debilitados, só terão alta hospitalar no domingo.
Domingo, 18h20h: os homens de al-Baghdadi saem do hospital e chegam perto do estádio do Maracanã. O Flamengo acabara de perder o jogo . A torcida rubro-negra confunde os terroristas com integrantes da galera adversária e lhes dá uma surra sem precedentes. O chefe da torcida é um tal de "Pé de Mesa", que abusa sexualmente deles.
Às 19h45m, finalmente são deixados em paz, com dores terríveis pelo corpo, em especial na área proctológica. Ao verem uma barraca de venda de bebida nas proximidades, decidem se embriagar uma vez na vida (mesmo que seja pecado, Alá que se foda!). Tomam cachaça adulterada com metanol e precisam voltar ao Miguel Couto. Os médicos também diagnosticam gonorreia no setor retofuricular inchado (Pé de Mesa não perdoa!).
Segunda-feira, 23h42m: os dois terroristas fogem do Rio escondidos na traseira de um caminhão de eletrodomésticos, assaltado horas depois na Serra das Araras. Desnorteados, famintos, sem poder andar e sentar, eles são levados pela van clandestina de uma ONG ligada a direitos humanos.
Viajam deitados de lado. Conseguiram fugir do retiro da ONG no dia seguinte e perambulam o dia todo à cata de comida. Cansados, acabam adormecendo debaixo da marquise de uma loja.
A Polícia Federal ainda não revelou o hospital onde os dois foram internados em estado grave, depois de espancados quase até a morte por um grupo de mata-mendigos. O porta-voz da PF declarou que, depois que os dois saírem da UTI, serão recolhidos no setor de imigrantes ilegais, em Brasília, onde permanecerão até o Ministério da Justiça autorizar a deportação dos dois infelizes, se tiver verba, é claro.
Os dois consideraram desnecessário terrorismo no Brasil e irão sugerir na Síria um convênio para realização, no Rio de Janeiro, de treinamento especializado para o pessoal do ISIS, alegando que em matéria de terror e sofrimento imposto, estamos anos luz à sua frente.

terça-feira, 7 de abril de 2009

O que é um PEIDO para quem já está CAGADO?



A expressão do título é conhecida de todos, mas o texto que a originou é menos. É uma obra de Luis Fernando Veríssimo sobre a obra veríssima que ele fez numa viagem para Miami.



Aeroporto Santos Dumont, 15h 30min.

Senti um pequeno mal-estar causado por uma cólica intestinal, mas nada que uma urinada ou uma barrigada não aliviasse.

Mas, atrasado para chegar ao ônibus que me levaria para o Galeão, de onde partiria o vôo para Miami, resolvi segurar as pontas.

Afinal de contas são só uns 15 minutos de busão.

'Chegando lá, tenho tempo de sobra para dar aquela mijadinha esperta, tranqüilo, o avião só sairía às 16:30'.

Entrando no ônibus sem sanitários, senti a primeira contração e tomei consciência de que minha gravidez fecal chegara ao nono mês e que faria um parto de cócoras assim que entrasse no banheiro do aeroporto.

Virei para o meu amigo que me acompanhava e, sutilmente, falei:

'Cara, mal posso esperar para chegar na merda do aeroporto porque preciso largar um barro.'

'Nesse momento, senti um urubu beliscando minha cueca, mas botei a força de vontade para trabalhar e segurei a onda.'

O ônibus nem tinha começado a andar quando, para meu desespero, uma voz disse pelo alto falante: 'Senhoras e senhores, nossa viagem entre os dois aeroportos levará em torno de 1 hora, devido a obras na pista.'

Aí o urubu ficou maluco querendo sair a qualquer custo. Fiz um esforço hercúleo para segurar o trem merda que estava para chegar na estação ânus a qualquer momento.

Suava em bicas. Meu amigo percebeu e, como bom amigo que era, aproveitou para tirar um sarro.

O alívio provisório veio em forma de bolhas estomacais, indicando que pelo menos por enquanto as coisas tinham se acomodado.

Tentava me distrair vendo TV, mas só conseguia pensar em um banheiro, não com uma privada, mas com um vaso sanitário tão branco e tão limpo que alguém poderia botar seu almoço nele. E o papel higiênico então: branco e macio, com textura e perfume e, ops, senti um volume almofadado entre meu traseiro e o assento do ônibus e percebi, consternado, que havia cagado.

Um cocô sólido e comprido daqueles que dão orgulho de pai ao seu autor. Daqueles que dá vontade de ligar pros amigos e parentes e convidá-los a apreciar na privada.

Tão perfeita obra, dava pra expor em uma bienal.

Mas sem dúvida, a situação tava tensa. Olhei para o meu amigo, procurando um pouco de piedade, e confessei sério:

'Cara, caguei!'

Quando meu amigo parou de rir, uns cinco minutos depois, aconselhou-me a relaxar, pois agora estava tudo sob controle.

'Que se dane, me limpo no aeroporto', pensei.

'Pior que isso não fico'.

Mal o ônibus entrou em movimento, a cólica recomeçou forte. Arregalei os olhos, segurei-me na cadeira mas não pude evitar, e sem muita cerimônia ou anunciação, veio a segunda leva de merda.

Desta vez, como uma pasta morna. Foi merda para tudo que é lado, borrando, esquentando e melando a bunda, cueca, barra da camisa, pernas, panturrilha, calças, meias e pés.

E mais uma cólica anunciando mais merda, agora líqüida, das que queimam o fiofó do freguês ao sair rumo a liberdade. E depois um peido tipo bufa, que eu nem tentei segurar. Afinal de contas, o que era um peidinho para quem já estava todo cagado...

Já o peido seguinte, foi do tipo que pesa. E me caguei pela quarta vez. Lembrei de um amigo que certa vez estava com tanta caganeira que resolveu botar modess na cueca, mas colocou as linhas adesivas viradas para cima e quando foi tirá-lo levou metade dos pêlos do rabo junto.

Mas era tarde demais para tal artifício absorvente.

Tinha menstruado tanta merda que nem uma bomba de cisterna poderia me ajudar a limpar a sujeirada.

Finalmente cheguei ao aeroporto e saindo apressado com passos curtinhos, supliquei ao meu amigo que apanhasse minha mala no bagageiro do ônibus e a levasse ao sanitário do aeroporto para que eu pudesse trocar de roupas.

Corri ao banheiro e entrando de boxe em boxe, constatei falta de papel higiênico em todos os cinco.

Olhei para cima e blasfemei: 'Agora chega, né?'

Entrei no último, sem papel mesmo, e tirei a roupa toda para analisar minha situação (que concluí como sendo o fundo do poço) e esperar pela minha salvação, com roupas limpinhas e cheirosinhas e com ela uma lufada de dignidade no meu dia.

Meu amigo entrou no banheiro com pressa, tinha feito o 'check-in' e ia correndo tentar segurar o vôo.

Jogou por cima do boxe o cartão de embarque e uma maleta de mão e saiu antes de qualquer protesto de minha parte. 'Ele tinha despachado a mala com roupas'.
Na mala de mão só tinha um pulôver de gola 'V'.

A temperatura em Miami era de aproximadamente 35 graus.

Desesperado comecei a analisar quais de minhas roupas seriam, de algum modo, aproveitáveis.

Minha cueca, joguei no lixo. A camisa era história.

As calças estavam deploráveis e assim como minhas meias mudaram de cor tingidas pela merda. Meus sapatos estavam nota 3, numa escala de 1 a10.

Teria que improvisar.

A invenção é mãe da necessidade, então transformei uma simples privada em uma magnífica máquina de lavar.

Virei a calça do lado avesso, segurei-a pela barra, e mergulhei a parte atingida na água. Comecei a dar descarga até que o grosso da merda se desprendeu. Estava pronto para embarcar.

Saí do banheiro e atravessei o aeroporto em direção ao portão de embarque trajando sapatos sem meias, as calças do lado avesso e molhadas da cintura ao joelho (não exatamente limpas) e
o pulôver gola 'V', sem camisa.

Mas caminhava com a dignidade de um lorde.

Embarquei no avião, onde todos os passageiros estavam esperando o 'RAPAZ QUE ESTAVA NO BANHEIRO' e atravessei todo o corredor até o meu assento, ao lado do meu amigo que sorria.

A aeromoça aproximou-se e perguntou se precisava de algo.

Eu cheguei a pensar em pedir 120 toalhinhas perfumadas para disfarçar o cheiro de fossa transbordante e uma gilete para cortar os pulsos, mas decidi não pedir:

'Nada, obrigado.'

Eu só queria esquecer este dia de merda. Um dia de merda...

domingo, 5 de abril de 2009

Sua Escolha - por Brunno Soares.


Li essa crônica em um outro blog, parece que foi escrita por mim, e pode ser que você tenha a mesma percepção ao ler esse texto.

Existe uma infinidade de pessoas que tem sentimentos semelhantes. As circunstâncias podem não serem as mesmas, as posições dos protagonistas serem diferentes, os personagens também serem diferentes, mas os sentimentos que se desenvolvem no interior das pessoas o são: angústia e vazio.

O ser humano pode parecer tão complexo, um verdadeiro universo a ser desvendado, mas ao mesmo tempo é tão simples, pois tem a capacidade de desenvolver os mesmos sentimentos com histórias de vida diferentes.

Escolhas são processos decisórios difíceis e estão sujeitas a uma diretriz importante da vida, que é a relação "causa-efeito". Por isso que conselhos não devem ser dados às pessoas, pois as consequências caberão a quem fez a escolha, sendo que a pessoa que emite o conselho o faz baseado em sua bagagem de vida.

As escolhas sempre pressupõem perdas e ganhos, e no processo decisório o saldo de ganhos terá que ser positivo, senão você não fará boas escolhas.

Ahhh...!!!! Que bom seria se tivéssemos muitas vidas e não precisássemos fazer escolhas, mas a coisa não funciona assim, pois temos uma só vida no presente a ser vivida.

Meu amigo, se você tem que fazer escolhas, desejo-lhe sorte no seu processo decisório, e seja bem-vindo à vida!!!

Boa leitura e reflexão.




Sua Escolha - por Brunno Soares

02.09.2004

Nem tudo foi criado pra durar para sempre e durante nossa vida encontramos coisas assim, por exemplo, o ingresso do parque de diversões não dura pra sempre, uma colônia de férias só dura, obviamente as férias, o tempo de colégio também não dura pra sempre, a consulta ao dentista, graças a Deus não dura pra sempre, e até algumas amizades não duram pra sempre.

Devemos viver com isso em mente; que tudo aqui é passageiro, superficial talvez. Cansei de ouvir pessoas dizendo, “eu nunca vou te esquecer”, vai ser difícil sem você” ou até “sinto saudades”, mas eu me questiono até onde é verdade e até onde isso passa a ser somente frases bonitas em letras garrafais nas raras cartas que recebo.

Seria egoísmo meu achar que essas amizades não durarão para sempre? Ou seria a mais dolorosa verdade? De fato, não consigo ver resposta certa! O que vejo é, que quanto mais o tempo passa ou quanto mais aumenta a distancia esses “amigos” se afastam ainda mais, tornando quase impossível acreditar que há, ou até mesmo que um dia houve, um sentimento tão forte que me faria desejá-los do meu lado pra sempre.

Mas apesar de tudo, a gente segue, sem olhar pra trás, com a esperança que um dia tudo volte ao normal, ou pelo menos fique claro! Às vezes sinto-me como um peso nos ombros desses amigos, um fardo tão doloroso que seria melhor deixá-lo e seguir sozinho.

O pior é que tudo começa assim, você tem que ir embora por circunstâncias que não pode enfrentar, depois vêm aqueles pensamentos, o que será de mim sem eles? Parece que tudo perde sentido se não os tenho por perto. O tempo passa, algumas cartas cheias de ânimo, de mensagens positivas, de declarações inegáveis de amor e respeito eterno, depois, são algumas cartas a menos, um mês sim, outro não, dois meses, e por ai vai...

Se ao menos eu pudesse tirar do peito o que me prende a eles, o faria. Ter alguém pela metade é bem pior do que não tê-la! Não sentir, seria hoje bem melhor do que esperar, esperar e esperar...

Entretanto, até as ausências nos trazem lições, a mim, varias: as pessoas mudam com o tempo, ou se revelam, tiram suas máscaras e a beleza dá lugar a uma frieza extremamente angustiante; Temos que aprender que as pessoas têm o direito de nos tirar de suas vidas, mesmo que isso venha a doer mais em nós, pois não estamos preparados para o desprezo; Não me cabe julgar se eles estão errados, um dia eu posso fazer o mesmo que eles.

Na verdade, é tudo uma questão de escolha! O doloroso mesmo é saber que não posso fazer nada para mudar o sentimento, ou a falta dele nos meus amigos, aceitar é o melhor que posso fazer.

Meu amigo, você que está lendo, saiba que de maneira alguma escrevi isso para lhe acusar, não mesmo. Mas se, por ventura, agora ao acabar de ler você não estiver sentido nenhum aperto no peito, sorria! Pois é sinal que tudo continua exatamente do mesmo jeito entre nós. Porém se você sentiu algo dentro de você, uma voz sussurrando “ouça”, ou o aperto no peito... Pense bem, não será a hora de mudar? Ou de esclarecer as coisas e fazer sua escolha? Não se sinta na obrigação de me manter em sua vida, eu entendo suas escolhas, também farei às minhas um dia, mas, por favor, só não continue a me deixar com esse vazio no peito, com essa falta em mim que vem de você.

Lembre-se: é tudo uma questão de escolhas! Estou preparado para qualquer que seja a tua escolha, afinal, você me treinou para ela todo esse tempo. Agora, uma última coisa, não tenha medo, a vida nos trará novas oportunidades amanhã, porém esse amanhã começa hoje, no exato momento em que você terminar de ler esse texto e decidir por nós dois. Vá em frente, esse texto foi feito pra você!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Paciência.


Ah! Se vendessem paciência nas farmácias e supermercados... Muita gente iria gastar boa parte do salário nessa mercadoria tão rara hoje em dia. Por muito pouco a madame que parece uma "lady" solta palavrões e berros que lembram as antigas "trabalhadoras do cais"... E o bem comportado executivo?

O "cavalheiro" se transforma numa "besta selvagem" no trânsito que ele mesmo ajuda a tumultuar...

Os filhos atrapalham, os idosos incomodam, a voz da vizinha é um tormento, o jeito do chefe é demais para sua cabeça, a esposa virou uma chata, o marido uma "mala sem alça". Aquela velha amiga uma "alça sem mala", o emprego uma tortura, a escola uma chatice.

O cinema se arrasta, o teatro nem pensar, até o passeio virou novela.

Outro dia, vi um jovem reclamando que o Banco dele pela internet estava demorando a dar o saldo, eu me lembrei da fila dos bancos e balancei a cabeça, inconformado...

Vi uma moça abrindo um e-mail com um texto maravilhoso, e ela deletou sem sequer ler o título, dizendo que era longo demais.

Pobres de nós, meninos e meninas sem paciência, sem tempo para a vida, sem tempo para Deus.

A paciência está em falta no mercado, e pelo jeito, a paciência sintética dos calmantes está cada vez mais em alta.

Pergunte para alguém, que você saiba que é "ansioso demais" onde ele quer chegar?

Qual é a finalidade de sua vida?
Surpreenda-se com a falta de metas, com o vago de sua resposta.

E você?
Onde você quer chegar?
Está correndo tanto para quê?
Por quem?
Seu coração vai aguentar?
Se você morrer hoje de infarto agudo do miocárdio o mundo vai parar?
A empresa em que você trabalha vai acabar?
As pessoas que você ama vão parar?
Será que você conseguiu ler até aqui?

Respire... Acalme-se...

O mundo está apenas na sua primeira volta e, com certeza, no final do dia vai completar o seu giro ao redor do sol, com ou sem a sua paciência...

NÃO SOMOS SERES HUMANOS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL. SOMOS SERES ESPIRITUAIS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA HUMANA.

Arnaldo Jabor.


OBSERVAÇÃO DO BAR DOS NAVEGADORES: Existe no texto um efeito poético, talvez uma metáfora, que é uma heresia, mas que o mestre Jabor deve ter escrito propositadamente. Se você descobrir, ou observar o que eu observei, comente!!!


terça-feira, 31 de março de 2009

O dilema da porta giratória.

“Cliente de banco se queixa da porta giratória: ele diz que foi impedido de entrar na agência porque se negou a tirar uma jaqueta que tinha fivelas de metal.”

Cotidiano, 11 set 2000






Poucos dias depois do incidente com o homem da jaqueta, uma mulher, ainda jovem tentou entrar numa agência bancária e também ficou presa na porta.

Em princípio, os seguranças tiveram dificuldade em identificar que tipo de objeto havia sito detectado pelo equipamento eletrônico, mas a própria moça encarregou-se de avisá-los:

- É isto aqui.

Tratava-se de um grande broche de metal que ela tinha preso ao casaco.

- Pois então tire - disse o segurança.

Para sua surpresa, a resposta foi uma irritada negativa:

- Não tiro coisa nenhuma. E soltem de uma vez esta porta que eu quero entrar.

O gerente foi chamado. A ele a moça explicou, num tom mais cortês, que a jóia, na realidade uma bijuteria barata, era a última lembrança que tinha de sua falecida mãe:

- Ela pediu que eu a levasse sempre comigo. Tirar este broche, agora, seria uma afronta à sua memória.

Atrapalhado, o gerente não sabia o que fazer. Poderia, claro, endurecer; mas... se a moça armasse um escândalo? Se a coisa terminasse na TV, nos jornais? Decidiu consultar seus superiores. Enquanto isso, a moça teria de guardar ali, presa na porta.


- Não me importo - disse ela -, desde que eu possa cumprir o último pedido da minha querida mãe, nada é problema para mim.


O gerente telefonou para seu superior imediato, que também ficou perplexo com o dilema: nunca se vira diante de uma situação tão inusitada. Teve, pois, de ligar para a Direção Geral do Banco. Uma reunião de emergência foi convocada, contando inclusive com a presença de assessores da imprensa. Enquanto isso, a situação na agência caótica; as pessoas presas lá dentro tinham sido retiradas por uma porta lateral, mas a fila à frente era enorme. Ao telefone, o gerente implorava por uma solução.


Que finalmente veio; a cliente poderia entrar, com broche e tudo.


Uma vez lá dentro, o assalto foi rápido. Sacando um pequeno revólver da bolsa, ela mandou todo o mundo deitar no chão, a rotina de sempre. Coletou o dinheiro dos caixas e saiu sem problemas. Na pressa, o broche desprendeu-se do casaco e caiu no chão, mas ela não se deu ao trabalho de apanhá-lo. O gerente disse depois que nunca tinha visto tamanha falta de consideração com o último desejo de uma mãe moribunda.


O Imaginário Cotidiano
Moacyr Scliar

sábado, 28 de março de 2009

Tinha que ser o Veríssimo...


E tudo mudou...

O rouge virou blush
O pó-de-arroz virou pó-compacto
O brilho virou gloss

O rímel virou máscara incolor
A Lycra virou stretch
Anabela virou plataforma
O corpete virou porta-seios
Que virou sutiã
Que virou lib
Que virou silicone

A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento
A escova virou chapinha
'Problemas de moça' viraram TPM
Confete virou MM

A crise de nervos virou estresse
A chita virou viscose.
A purpurina virou gliter
A brilhantina virou mousse

Os halteres viraram bomba
A ergométrica virou spinning
A tanga virou fio dental
E o fio dental virou anti-séptico bucal

Ninguém mais vê...

Ping-Pong virou Babaloo
O a-la-carte virou self-service

A tristeza, depressão
O espaguete virou Miojo pronto
A paquera virou pegação
A gafieira virou dança de salão

O que era praça virou shopping
A areia virou ringue
A caneta virou teclado
O long play virou CD

A fita de vídeo é DVD
O CD já é MP3
É um filho onde éramos seis
O álbum de fotos agora é mostrado por email

O namoro agora é virtual
A cantada virou torpedo
E do 'não' não se tem medo
O break virou street

O samba, pagode
O carnaval de rua virou Sapucaí
O folclore brasileiro, halloween
O piano agora é teclado, também

O forró de sanfona ficou eletrônico
Fortificante não é mais Biotônico
Bicicleta virou Bis
Polícia e ladrão virou counter strike

Folhetins são novelas de TV
Fauna e flora a desaparecer
Lobato virou Paulo Coelho
Caetano virou um chato

Chico sumiu da FM e TV
Baby se converteu
RPM desapareceu
Elis ressuscitou em Maria Rita?
Gal virou fênix
Raul e Renato,
Cássia e Cazuza,
Lennon e Elvis,
Todos anjos
Agora só tocam lira...

A AIDS virou gripe
A bala antes encontrada agora é perdida
A violência está coisa maldita!

A maconha é calmante
O professor é agora o facilitador
As lições já não importam mais
A guerra superou a paz
E a sociedade ficou incapaz...

... De tudo.

Inclusive de notar essas diferenças

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Mulheres independentes (Martha Medeiros).

Recebi este texto de uma pessoa muito especial, sobre mulheres independentes. Resolvi compartilhá-lo, pois ele mostra uma visão muito interessante das pessoas que moram sozinhas, e que são chamadas de independentes.

Espero que gostem.

Boa leitura!!!


"Estava autografando meu livro quando uma senhora alta, elegante, já bem madura, chegou sorridente pra mim e disse: "Te acho uma mulher fenomenal". Eu, toda sorrisos, tomei o livro que ela tinha em mãos e me preparei para escrever uma dedicatória bem carinhosa. Ela então complementou: "Mas eu não queria ser casada contigo - tu és muito independente!" Concluí a dedicatória, agradeci a gentil presença dela, enquanto que meu coração começou a bater de forma um pouco mais lenta. O que estou sentindo? perguntei a mim mesma, em silêncio. Tristeza, respondi a mim mesma, em silêncio, enquanto a próxima pessoa da fila se aproximava. Em que eu seria mais independente do que qualquer outra mulher? Quase todas as que conheço trabalham, ganham seu próprio sustento, defendem suas opiniões e votam em seus próprios candidatos. Algumas não gostam de ir ao cinema sozinha, já eu não me importo. Poucas moraram sozinhas antes de casar, eu morei. Quase nenhuma, que eu lembre, viajou sozinha, eu já. E nisso consta toda minha independência, o que não me parece suficiente para assustar ninguém.
Fico imaginando que essa tal "mulher independente", aos olhos dos outros, pareça ser uma pessoa que nunca precise de ninguém, que nunca peça apoio, que jamais chore, que não tenha dúvidas, que não valorize um cafuné. Enfim, um bloco de cimento.
Quando eu comecei a ter idade pra sonhar com independência, passei a ler afoitamente os livros de Marina Colasanti - foram eles que me ensinaram a importância de abrir mão de tutelas e a me colocar na vida com uma postura própria, autônoma, mas nem por isso menos amorosa e sensível. Independência nada mais é do que ter poder de escolha. Conceder-se a liberdade de ir e vir, atendendo suas necessidades e vontades próprias, mas sem dispensar a magia de se viver um grandeamor. Independência não é sinônimo de solidão. É sinônimo de honestidade: estou onde quero, com quem quero, porque quero.
Sobre a questão da independência afugentar os homens, Marina Colasanti brincava: "Se isso for verdade, então ficarão longe de nós os competitivos, os que sonham com mulheres submissas, os que não são muito seguros de si. Que ótima triagem".
Infelizmente, a ameaça que aquela senhora acredita que as independentes representam não é um pensamento arcaico: no aqui e agora ainda há quem acredite que ser um bibelô (ou fazer-se de) tem lá suas vantagens. Eu não vejo quais.

Acredito que a independência feminina é estimulante, alegre, desafiadora, vital, enfim, uma qualidade que promove movimentação e avanço à sociedade como um todo, e aos familiares e amigos em particular.

"Eu preciso de você" talvez sejauma frase que os homens estejam escutando pouco de nós, e isso talvez lhes esteja fazendo falta. Por outro lado, nunca o "eu amo você" foi pronunciado com tanta verdade."

(Martha Medeiros - escritora gaúcha, escreveu inúmeros de livros de crônicas, e escreve diariamente para o jornal Zero Hora de Porto Alegre/RS)

sábado, 17 de janeiro de 2009

Os gaúchos chegaram.

Marcelo Carneiro da Cunha
De São Paulo

Nós costumamos chegar com a sutileza de uma frente fria e a voracidade de uma nuvem de gafanhotos em jejum. A disposição para negociar com os nativos é mais ou menos similar à dos alienígenas do Independence Day . Desde o oeste de Santa Catarina até os arrozais de Roraima, do litoral do Uruguai ao cerrado do Mato Grosso lá estamos nós, com o chimarrão e térmica em punho, mostrando a que viemos. E agora, meus prezados paulistanos, até aqui, terra da ex-garoa e do trânsito sem solução, nós chegamos.
Na verdade, já estávamos por aqui há tempos. Vocês consumiam nossos rodízios de carnes nem se davam conta de que este movimento era apenas a vanguarda. Os talheres já eram Tramontina ou Hércules há horas, as suas meninas vinham usando Melissas, suas construções usavam aços Gerdau, vocês voavam a mil pelo Brasil nos aviões da nossa Varig e nem percebiam que tudo isso fazia parte de um plano. Há alguns anos compram na Lojas Renner achando que aquilo tudo ali à disposição era uma forma de varejo bem sucedido. Abasteciam seus carros nos postos Ipiranga, achavam que Tio João era apenas uma marca de arroz; o bumba era quase sempre Marcopolo, mas tudo não passaria de uma estranha coincidência?
Na verdade, os gaúchos estavam apenas aguardando o momento certo para mostrar que chegaram e prontos para impor seu estilo de vida.

Comecem a se acostumar com quatro estações por ano, porque essa é uma necessidade básica de um povo que tenha apenas um assunto para utilizar nos táxis. Que passarão a ser Mille e dirigidos por um sujeito invariavelmente mal-barbeado e que sempre vota no Brizola. Seus filhos vão ter mais um item no currículo escolar, que é História do Rio Grande, e vão chegar em casa tendo aprendido a música e letra do Hino da Gloriosa Revolução Farroupilha.
O dia 20 de setembro passa a ser data nacional aqui também e suas mulheres vão ter que treinar para disputar o valiosíssimo troféu de A Mais Prendada Prenda. Vocês terão que aprender a usar expressões suaves como 'mais grosso que dedo destroncado' e 'frio de renguear cusco'. Aprendam o que é um cusco. Aproveitem logo para aprender o que quer dizer 'renguear' porque o frio logo, logo vem aí. Ao receberem um bom dinheiro de forma inesperada aprendam a berrar 'Hoje não tem china triste!'.
Desde já ninguém mais pode se referir ao Rio Grande como 'Sul', uma vez que aqui e todos os demais lugares onde estivermos passam a ser o centro do mundo. Sul agora deve ser algum lugar pro lado da Patagônia. Norte é tudo que fique acima da Via Dutra e Oeste fica para os lados da plantação de soja mais próxima. Leste fica pras bandas do mar, e se existe uma coisa que não nos interessa é água salgada e fria. Dizem que existem outras formas de mar, mas certamente isso é algo que nunca vimos.
O que eu estou afirmando é a pura e simples verdade. Completamos o círculo e nos sentimos fortes o bastante para afirmar a nossa presença aqui em São Paulo com a mesma sem-cerimônia com que ocupamos os planaltos da Bahia. Se havia alguma dúvida, basta irem até o nosso novo templo, objeto de reverência e peregrinação daqui pra frente. O Bourbon Shopping Pompéia, onde reluz, em toda a sua gauchidade, o supermercado Zaffari.
Se alguém tem dúvidas se a invasão é um fato, visitem o Zaffari. Sejam como os sapos que saltam da panela em aquecimento, e não aqueles que nada percebem até que seja tarde demais. Olhem a seção de frutas. Está no cartaz: 'Bergamotas'. Abaixo, em letras pequeninas e numa concessão aos povos ainda não reeducados, 'tangerina', ou 'mexerica', ou algo assim, em português. Na padaria, vão ver que sobre os pãezinhos está escrito o novo nome que todos passarão a usar: cacetinho. Isso mesmo. E nossas churrasqueiras na varanda do apartamento, que agora passam a ser parte obrigatória de cada residência, ou nada de 'Habite-se.

Testem o que eu digo. Vão até a confeitaria e perguntem se tem 'cueca-virada'. Vai ter. Vão encontrar Pastelina, o melhor salgadinho com gosto questionável do planeta. Nata Piá e Erva Barão.Cerveja Polar, aquela que não poderia ser vendida acima do rio Pelotas. Agora pode.
Sacudimos as sutilezas e colocamos as garras de fora. Estaremos aqui como estamos em todos os lugares. Sem fazer uma idéia muito completa do que acontece ao nosso redor, e simplesmente desinteressados do que quer que seja para saber se onde estamos faz, afinal, alguma diferença nas nossas vidas.





Marcelo Carneiro da Cunha é escritor e jornalista. Escreveu o argumento do curta-metragem 'O Branco', premiado em Berlim e outros importantes festivais. Entre outros, publicou o livro de contos 'Simples' e o romance 'O Nosso Juiz', pela editora Record. Acaba de escrever o romance 'Depois do Sexo', que será publicado em setembro pela Record. Dois longas-metragens estão sendo produzidos a partir de seus romances 'Insônia' e 'Antes que o Mundo Acabe'.